Madball. Eis uma banda muito boa. Eles fucking rules, tocam pesado e têm muita energia. Se você conhece um punk das ruas de São Paulo, ou algum punk que more ou que já tenha morado nos Estados Unidos, pode acreditar que esse cara conhece o Madball. É uma banda obrigatória para todos os punks. Agora, se você tem como estilo de vida a filosofia do “faça-você mesmo” e só sabe tocar aqueles “três acordes à la Ramones”, também tem como obrigação conhecê-los (e se você não toca porra nenhuma, mas curte aquele bom e velho punk, é mais do que obrigação conhecê-los). Caso não conheça: cara, em que merda de mundo você vive?
Recentemente, estive ouvindo um EP que eles gravaram em 1989, chamado “NYHC”, com apenas 4 músicas, pouco mais de dez minutos de duração, e “O que é aquilo?” Eu gostei pra caramba. Mesmo nos Estados Unidos, país onde mais surgem bandas por metro quadrado, o rock and roll, dos anos 80 pra cá, tem entrado em declínio (as bandas têm ficado ruins, fazendo melodias melódicas e extremamente danosas aos ouvidos). Então, é de se comemorar com uma garrafa de Dama Bier que a cena hardcore ainda esteja tão boa, quanto nos anos 80 e 90.
O EP do Madball abre com a faixa “For My Enemies” (em minha opinião, a melhor das quatro). É através desta música, querendo ou não, que a gente decide se continuaremos (ou não) a ouvir o EP todo. E, devido à boa qualidade de gravação e ao instrumental cru e sem enrolação, eu optei por continuar ouvindo o EP até o fim. As músicas, de fato, te agarram pelo pescoço e não há como você querer escapar da maldição do Madball (claro, uma maldição boa).
A segunda faixa do EP chama-se “Tight Rope”, e apesar de ser uma boa faixa, eu, em particular, acabei me identificando bastante com a letra. Ela serviu para me fazer lembrar de minha infância. Versos como “I have my hopes but accept the facts. The friends I’ve lost to the street? We can’t bring them back” me fazem lembrar de todos os filhos-da-puta falsos amigos que eu deixei para trás. E logo em seguida, o aparelho de som cospe em sua cara mais duas faixas ótimas “My Rage” e “Para Mi Gente”, e esta última é mais fácil de compreender pelo fato de ser cantada em castelhano.
E o cenário hardcore de Nova York, que já foi marcado por ótimas bandas como Agnostic Front, Cro-Mags, Reagan Youth (que se tornou mais conhecida após uma entrevista que eles concederam à Maximum Rocknroll em novembro de 82; edição que, por sinal, vale muito a pena ser lida; baixe na internet!), Gorilla Biscuits, Skarhead e Sworn Enemy (que começou tocando punk, mas que depois acabou assumindo uma identidade Thrash, quase irreconhecível), serviu para importar muitas coisas boas aqui para o Brasil.
Deixando o cenário hardcore nova-iorquino de lado, e focando mais na cena punk daqui do Brasil, tivemos no ano passado (sábado, três de setembro de 2011), lá em São Paulo, o show de uma das mais antigas bandas punks que ainda continua na ativa: a Cock Sparrer. Foi um show genial, basta você assisti-lo na internet. O show ocorreu às 18h, no Carioca Club - localizado no número 2899 da Cardeal Arcoverde.
Naquela noite, estava tudo certo para eu ir ao show. Eu estava sem grana, mas eu já havia me decidido que iria comprar algumas cervejas e ficar parado na porta do Carioca Club, isso já seria suficiente para que eu pudesse ouvir o show (o que já era ótimo). Eu não precisava ver o show, precisava apenas ouvi-lo, e era o que eu faria. Mas houve um incidente. Naquela noite, eu acabei voltando para Piracicaba, pois tive que levar um amigo para fazer uma tatuagem no braço (até hoje, o ele me deve essa). Fiquei puto, ia perder o show do Cock Sparrer, mas no fim das contas acabei me conformando com a idéia. A noite estava boa, e ela continuaria sendo uma noite boa se não fosse marcada pela estupidez desmedida de skinheads racistas. Após o show do Cock Sparrer (e eu só fiquei sabendo disso através de um amigo de São Paulo), houve um confronto gigantesco entre punks e skinheads, bem em frente ao Carioca Club. O confronto foi pesado, inclusive resultou na morte de um punk, que foi esfaqueado bem na porta do clube.
Palhaçada, aquilo foi uma palhaçada! Tinha que ser aqui no Brasil. Os punks e skinheads daqui querem fazer ser tão parecidos com os punks e skinheads europeus, mas se esquecem que lá na porra da Europa os punks e skinheads NÃO se confrontam. Acho que os skinheads racistas daqui do Brasil nunca ouviram falar de algo chamado “Punks & Skins United.” Aliás, que porra é essa de skinheads racistas? Não existe skinhead racista, não pode existir! O movimento skinhead surgiu na Jamaica, em meados dos anos 90, então como é que pode existir um skinhead racista? Cadê a porra do espírito de 69? Esses skinheads brasileiros que se dizem white-power são uns babacas, pois não conhecem a origem do movimento. Eles deturparam o significado da palavra “skinhead.” E os meus parabéns àqueles que se dizem Skins tradicionais (Trojan) ou SHARP.
Para resumir, aquela noite foi péssima em razão de várias outras coisas: primeiro, porque eu perdi o show do Cock Sparrer; segundo, porque eu fiquei sabendo que o guitarrista do Cock Sparrer passou muito mal, após comer alguma coisa estragada nos arredores do Carioca Club; e terceiro, porque eu perdi a oportunidade de enfiar a mão na cara daqueles “skinheads racistas babacas” da cidade de São Paulo. Muita merda para uma noite só. E para encerrar esse monte de baboseira, como diria os próprios membros do Madball numa das canções da banda: “You only get respect when it’s given out.”


![Em princípio, vocês poderão achar que esse meu texto é tosco e completamente sem importância, sem objetivo algum. Um texto escrito por mais um fã fanático, sabe? Mas não é o caso. Vocês verão onde eu quero chegar.
Joey Ramone. Ele foi um grande músico, o vocalista de uma das mais (se não for a mais) importantes bandas punks que já caminhou por esse mundo, os Ramones; e além de grande músico, Joey, pelo que muitos dizem, foi também um grande homem. Um gigante sentimental (sim, gigante, ele tinha um metro e noventa e oito de altura), que por trás daquela aparência de durão, da calça jeans rasgada, das luvas pretas e da jaqueta de couro à la motoqueiro briguento, havia um homem romântico, benfazejo e defensor de diversas causas, como o fim da violência animal e o direito à prática do aborto. Sim, esse foi Joey Ramone.
Eu não quero fazer esse texto para, no fim das contas, dizer quem foi Joey Ramone, contar as coisas que ele fez e bosquejar a sua importância no mundo da música, como muitas pessoas sempre fazem. Não, não é isso que eu quero. Eu quero mostrar a vocês para onde a bondade, o carisma e a soberba qualidade musical conseguiu levar um homem.
Quantos músicos vocês conhecem que de tão famosos e carismáticos foram presenteados, após falecidos, com o nome de uma rua? Aposto que você não conhece ninguém. E se conhecer, dá para contar nos dedos. Eu, por exemplo, só conheço um: Joey Ramone.
Tal proeza não é uma questão de vendagem de discos, não é uma questão de ser bem sucedido financeiramente. Você não precisa ser galanteado com discos de platina, de ouro e de diamante para conseguir tal feito. Muito pelo contrário, a chave para o reconhecimento está muito além disso. Segundo o próprio guitarrista Johnny Ramone, em uma entrevista para o documentário End Of The Century - The History of The Ramones [EUA, 2003, Jim Fields], os Ramones nunca venderam discos, seus álbuns (é claro, exceção existe para cada regra) sempre venderam pouco, inclusive, alguns foram verdadeiros desastres de venda. Porém, eles compensavam a baixa vendagem de discos nos shows, que sempre esgotavam ingressos.
Você entendeu onde eu quero chegar? Após a fama, são poucos os artistas que conseguem manter a cabeça no lugar certo e olhar os seus fãs nos olhos, apertar as mãos, tratar com igualdade. São pouquíssimos! Após a fama, para que você consiga atenção E CARINHO por parte de todos (não apenas de seus fãs) você deve continuar a ser carinhoso, amável e tratar a todos com respeito, compreender que você pode ter mais dinheiro do que os outros, mas que você é ser-humano igual e que, portanto, jamais será melhor do que ninguém.
Post Scriptum: E não esquecer, jamais, que você só chegou onde chegou por causa de seus fãs, portanto eis o motivo de tratá-los com respeito. Eles te deram o céu.
E Joey Ramone sabia disso. Tanto é que foi a prefeitura da cidade de Nova Iorque que decidiu homenageá-lo com o nome de uma rua, a Joey Ramone Place, na esquina da Bowery com a East 2nd Street. O motivo disso? As pessoas certamente quiseram reconhecer não apenas o talento de um grande artista, mas também o talento de uma grande pessoa.
Hoje é dia 19 de maio, aniversário de Joey Ramone — se estivesse vivo, ele estaria completando 61 anos de idade —, e fica aqui, através desse pequeno texto, a minha homenagem a esse grande músico. São palavras humildes, porém sinceras.
A ele, o meu respeito. Eternamente.](http://24.media.tumblr.com/tumblr_m49638q53s1qbmitfo1_500.png)


