Paquela: Mais Podre do Que Nunca.
Falando nisso…

Madball. Eis uma banda muito boa. Eles fucking rules, tocam pesado e têm muita energia. Se você conhece um punk das ruas de São Paulo, ou algum punk que more ou que já tenha morado nos Estados Unidos, pode acreditar que esse cara conhece o Madball. É uma banda obrigatória para todos os punks. Agora, se você tem como estilo de vida a filosofia do “faça-você mesmo” e só sabe tocar aqueles “três acordes à la Ramones”, também tem como obrigação conhecê-los (e se você não toca porra nenhuma, mas curte aquele bom e velho punk, é mais do que obrigação conhecê-los). Caso não conheça: cara, em que merda de mundo você vive?

Recentemente, estive ouvindo um EP que eles gravaram em 1989, chamado “NYHC”, com apenas 4 músicas, pouco mais de dez minutos de duração, e “O que é aquilo?” Eu gostei pra caramba. Mesmo nos Estados Unidos, país onde mais surgem bandas por metro quadrado, o rock and roll, dos anos 80 pra cá, tem entrado em declínio (as bandas têm ficado ruins, fazendo melodias melódicas e extremamente danosas aos ouvidos). Então, é de se comemorar com uma garrafa de Dama Bier que a cena hardcore ainda esteja tão boa, quanto nos anos 80 e 90.

O EP do Madball abre com a faixa “For My Enemies” (em minha opinião, a melhor das quatro). É através desta música, querendo ou não, que a gente decide se continuaremos (ou não) a ouvir o EP todo. E, devido à boa qualidade de gravação e ao instrumental cru e sem enrolação, eu optei por continuar ouvindo o EP até o fim. As músicas, de fato, te agarram pelo pescoço e não há como você querer escapar da maldição do Madball (claro, uma maldição boa).

A segunda faixa do EP chama-se “Tight Rope”, e apesar de ser uma boa faixa, eu, em particular, acabei me identificando bastante com a letra. Ela serviu para me fazer lembrar de minha infância. Versos como “I have my hopes but accept the facts. The friends I’ve lost to the street? We can’t bring them back” me fazem lembrar de todos os filhos-da-puta falsos amigos que eu deixei para trás. E logo em seguida, o aparelho de som cospe em sua cara mais duas faixas ótimas “My Rage” e “Para Mi Gente”, e esta última é mais fácil de compreender pelo fato de ser cantada em castelhano.

E o cenário hardcore de Nova York, que já foi marcado por ótimas bandas como Agnostic Front, Cro-Mags, Reagan Youth (que se tornou mais conhecida após uma entrevista que eles concederam à Maximum Rocknroll em novembro de 82; edição que, por sinal, vale muito a pena ser lida; baixe na internet!), Gorilla Biscuits, Skarhead e Sworn Enemy (que começou tocando punk, mas que depois acabou assumindo uma identidade Thrash, quase irreconhecível), serviu para importar muitas coisas boas aqui para o Brasil.

Deixando o cenário hardcore nova-iorquino de lado, e focando mais na cena punk daqui do Brasil, tivemos no ano passado (sábado, três de setembro de 2011), lá em São Paulo, o show de uma das mais antigas bandas punks que ainda continua na ativa: a Cock Sparrer. Foi um show genial, basta você assisti-lo na internet. O show ocorreu às 18h, no Carioca Club - localizado no número 2899 da Cardeal Arcoverde.

Naquela noite, estava tudo certo para eu ir ao show. Eu estava sem grana, mas eu já havia me decidido que iria comprar algumas cervejas e ficar parado na porta do Carioca Club, isso já seria suficiente para que eu pudesse ouvir o show (o que já era ótimo). Eu não precisava ver o show, precisava apenas ouvi-lo, e era o que eu faria. Mas houve um incidente. Naquela noite, eu acabei voltando para Piracicaba, pois tive que levar um amigo para fazer uma tatuagem no braço (até hoje, o ele me deve essa). Fiquei puto, ia perder o show do Cock Sparrer, mas no fim das contas acabei me conformando com a idéia. A noite estava boa, e ela continuaria sendo uma noite boa se não fosse marcada pela estupidez desmedida de skinheads racistas. Após o show do Cock Sparrer (e eu só fiquei sabendo disso através de um amigo de São Paulo), houve um confronto gigantesco entre punks e skinheads, bem em frente ao Carioca Club. O confronto foi pesado, inclusive resultou na morte de um punk, que foi esfaqueado bem na porta do clube.

Palhaçada, aquilo foi uma palhaçada! Tinha que ser aqui no Brasil. Os punks e skinheads daqui querem fazer ser tão parecidos com os punks e skinheads europeus, mas se esquecem que lá na porra da Europa os punks e skinheads NÃO se confrontam. Acho que os skinheads racistas daqui do Brasil nunca ouviram falar de algo chamado “Punks & Skins United.” Aliás, que porra é essa de skinheads racistas? Não existe skinhead racista, não pode existir! O movimento skinhead surgiu na Jamaica, em meados dos anos 90, então como é que pode existir um skinhead racista? Cadê a porra do espírito de 69? Esses skinheads brasileiros que se dizem white-power são uns babacas, pois não conhecem a origem do movimento. Eles deturparam o significado da palavra “skinhead.” E os meus parabéns àqueles que se dizem Skins tradicionais (Trojan) ou SHARP.

Para resumir, aquela noite foi péssima em razão de várias outras coisas: primeiro, porque eu perdi o show do Cock Sparrer; segundo, porque eu fiquei sabendo que o guitarrista do Cock Sparrer passou muito mal, após comer alguma coisa estragada nos arredores do Carioca Club; e terceiro, porque eu perdi a oportunidade de enfiar a mão na cara daqueles “skinheads racistas babacas” da cidade de São Paulo. Muita merda para uma noite só. E para encerrar esse monte de baboseira, como diria os próprios membros do Madball numa das canções da banda: “You only get respect when it’s given out.”

Oh, que grande diferença isso faz. Pra mim, não dá mais. Eu não me importo se você deixou de lado aquele seu jeito marrento, e também não me importo se você não teve nenhum intento. Eu já estou cansado do seu pouco-caso, eu estou cansado do seu descaso. Você nunca se importou comigo; agora, garota, eis o seu castigo. Eu sumirei da sua vida para sempre.

Eu sempre disse que te amei, e na verdade, eu te amo até agora. Mas meu amor por você não é correspondido, é por isso que eu estou indo embora. Sabe como é, eu quero seguir em frente com a minha vida; e sim, querida, encare isso como uma despedida. Não adianta mais você me telefonar todo maldito dia, pois eu sempre disse que te amava e você sempre sorria. Você nunca se importou comigo; agora, garota, eis o seu castigo. Eu sumirei da sua vida para sempre.

Malditas pessoas chatas. Por todo o mundo. Propagando mais malditas pessoas chatas. Que show de horror! O mundo está cheio deles.
Charles Bukowski, escritor alemão.
CBGB, o patrimônio cultural que morreu nas mãos de seu próprio povo.

Em minha opinião, todo monumento histórico deveria ser preservado. Uma catedral do século passado — apesar de eu não ser religioso — deve ser preservada, em razão de seus muitos anos de existência; uma casa, onde algum famoso nasceu e cresceu, em alguma cidadezinha no interior do estado, também deve ser preservada, em razão de sua suma importância aos fãs e à arte; e não para menos, um clube noturno com mais de trinta anos de existência, que acabou ganhando fama de “a meca do rock and roll underground”, também deveria ser preservado. E sim, eu estou falando do CBGB.

O lendário CBGB (cujo nome completo era CBGB OMFUG, sigla de Country BlueGrass and Blues & Other Music For Uplifting Gormandizers), foi um bar localizado no bairro da Bowery, na cidade de Nova Ioque. O bar, fundado no ano de 1973, pelo estadunidense Hilly Kristal (1931-2007), foi criado com o intuito de reunir os músicos nova-iorquinos de blues, pois naquela época o blues ainda era o grande negócio, estava tocando fortemente nas rádios, e claro, era o estilo musical favorito de Kristal. E apesar do CBGB ter sido criado para ser um bar de blues, não foi isso o que aconteceu.

Um ano após a inauguração do CBGB, em 1974, os integrantes da banda Television, entre eles, o guitarrista Tom Verlaine e o baterista Billy Ficca, foram conversar com o senhor Kristal para ver se eles poderiam tocar no bar. E Kristal, um senhor sempre muito compreensível e amável, permitiu. Esse foi o começo de tudo! O Television foi a primeira banda de punk rock [eu não os considero nem um pouco punk] a tocar no CBGB, abrindo caminho para futuras bandas que também viriam a se apresentar lá, tais como Patti Smith Group, Blondie, Talkingheads, Richard Hell and the Voidods, Ramones (o primeiro show dos Ramones no CBGB ocorreu no dia 16 de agosto de 1974, e até o dia 17 de novembro do mesmo ano, eles voltaram ao CBGB por 25 vezes), e muitas outras.

E o mais óbvio acabou acontecendo: o CBGB tornou-se, realmente, a casa do punk na cidade de Nova Iorque. Em pouco mais de três décadas de funcionamento, abrindo suas portas todos os dias para a estréia de alguma nova banda, sem exceção, o CBGB foi palco para shows de muitíssimas bandas (não apenas do gênero punk, mas do rock em geral), como Wayne County, Varukers, UK Subs, Sonic Youth, Sex Pistols, Hole, Runaways, The Germs, Korn, Misfits, Pearl Jam, Agnostic Front (show que deu origem ao DVD “Live At CBGB”, 2004), Bad Religion, Dead Kennedys, Dead Boys, The Clash, Dictators; e sem deixar de lado também algumas bandas brasileiras, como Chico Science e Nação Zumbi, os Ratos de Porão (banda de João Gordo, o maior traidor do movimento punk que o Brasil já conheceu, até agora) e Supla.

E após 33 longos anos de funcionamento, mais precisamente no dia 31 de outubro de 2006, em decorrência de uma dívida (astronômica, alguns dizem) que o senhor Hilly Kristal não conseguiu quitar, o CBGB foi obrigado a fechar as suas portas.

E sabe o que isso significa para mim? Significa que 33 anos de história foram jogados no lixo! Significa que ninguém deu valor a uma história de 33 anos! Isso significa que o povo e as bandas estadunidenses (incluindo o povo e a bandas nova-iorquinas) são um bando de bundas-moles, incapazes sequer de TENTAR intervir no processo de fechamento do CBGB. Prestem atenção! Eu não estou dizendo que os estadunidenses deveriam ter impedido o CBGB de fechar, eu só estou dizendo que eles poderiam ter, ao menos, tentado. Isso é angustiante, eles sequer tentaram!

E o mais sério: isso significa também que “a tal luta” que os skins e punks estadunidenses, principalmente os nova-iorquinos, tanto falam foi em vão. Essa foi a mesma “luta” que o sensacional Raybeez, vocalista do Warzone, eternizou na música Don’t Forget The Struggle, Don’t Forget The Streets. Mas isso é típico do povo estadunidense. Eles falam muito e fazem pouco. E fazem menos ainda por seus patrimônios.

Post Scriptum (1): Acima, uma montagem que eu fiz no photoshop, para celebrar alguns dos músicos que contribuiram para eternizar a história do CBGB.

Post Scriptum (2): Para todos aqueles, que assim como eu, sempre quiseram conhecer o CBGB, mas que não mais terão essa oportunidade, encontra-se, a seguir, um link onde você pode fazer um tour virtual (de 360º graus) no interior do falecido CBGB. Veja como ele era por dentro! Particularmente, eu achei muito legal: http://www.bravadousa.com/cbgb/pano/pano.html

Eu aproveitei a minha vida quando não tinha nada… e meio que gostava da idéia de ser feliz comigo mesmo.
Joey Ramone, vocalista dos Ramones.
Em princípio, vocês poderão achar que esse meu texto é tosco e completamente sem importância, sem objetivo algum. Um texto escrito por mais um fã fanático, sabe? Mas não é o caso. Vocês verão onde eu quero chegar.
Joey Ramone. Ele foi um grande músico, o vocalista de uma das mais (se não for a mais) importantes bandas punks que já caminhou por esse mundo, os Ramones; e além de grande músico, Joey, pelo que muitos dizem, foi também um grande homem. Um gigante sentimental (sim, gigante, ele tinha um metro e noventa e oito de altura), que por trás daquela aparência de durão, da calça jeans rasgada, das luvas pretas e da jaqueta de couro à la motoqueiro briguento, havia um homem romântico, benfazejo e defensor de diversas causas, como o fim da violência animal e o direito à prática do aborto. Sim, esse foi Joey Ramone.
Eu não quero fazer esse texto para, no fim das contas, dizer quem foi Joey Ramone, contar as coisas que ele fez e bosquejar a sua importância no mundo da música, como muitas pessoas sempre fazem. Não, não é isso que eu quero. Eu quero mostrar a vocês para onde a bondade, o carisma e a soberba qualidade musical conseguiu levar um homem.
Quantos músicos vocês conhecem que de tão famosos e carismáticos foram presenteados, após falecidos, com o nome de uma rua? Aposto que você não conhece ninguém. E se conhecer, dá para contar nos dedos. Eu, por exemplo, só conheço um: Joey Ramone.
Tal proeza não é uma questão de vendagem de discos, não é uma questão de ser bem sucedido financeiramente. Você não precisa ser galanteado com discos de platina, de ouro e de diamante para conseguir tal feito. Muito pelo contrário, a chave para o reconhecimento está muito além disso. Segundo o próprio guitarrista Johnny Ramone, em uma entrevista para o documentário End Of The Century - The History of The Ramones [EUA, 2003, Jim Fields], os Ramones nunca venderam discos, seus álbuns (é claro, exceção existe para cada regra) sempre venderam pouco, inclusive, alguns foram verdadeiros desastres de venda. Porém, eles compensavam a baixa vendagem de discos nos shows, que sempre esgotavam ingressos.
Você entendeu onde eu quero chegar? Após a fama, são poucos os artistas que conseguem manter a cabeça no lugar certo e olhar os seus fãs nos olhos, apertar as mãos, tratar com igualdade. São pouquíssimos! Após a fama, para que você consiga atenção E CARINHO por parte de todos (não apenas de seus fãs) você deve continuar a ser carinhoso, amável e tratar a todos com respeito, compreender que você pode ter mais dinheiro do que os outros, mas que você é ser-humano igual e que, portanto, jamais será melhor do que ninguém.
Post Scriptum: E não esquecer, jamais, que você só chegou onde chegou por causa de seus fãs, portanto eis o motivo de tratá-los com respeito. Eles te deram o céu.
E Joey Ramone sabia disso. Tanto é que foi a prefeitura da cidade de Nova Iorque que decidiu homenageá-lo com o nome de uma rua, a Joey Ramone Place, na esquina da Bowery com a East 2nd Street. O motivo disso? As pessoas certamente quiseram reconhecer não apenas o talento de um grande artista, mas também o talento de uma grande pessoa.
Hoje é dia 19 de maio, aniversário de Joey Ramone — se estivesse vivo, ele estaria completando 61 anos de idade —, e fica aqui, através desse pequeno texto, a minha homenagem a esse grande músico. São palavras humildes, porém sinceras.
A ele, o meu respeito. Eternamente.

Em princípio, vocês poderão achar que esse meu texto é tosco e completamente sem importância, sem objetivo algum. Um texto escrito por mais um fã fanático, sabe? Mas não é o caso. Vocês verão onde eu quero chegar.

Joey Ramone. Ele foi um grande músico, o vocalista de uma das mais (se não for a mais) importantes bandas punks que já caminhou por esse mundo, os Ramones; e além de grande músico, Joey, pelo que muitos dizem, foi também um grande homem. Um gigante sentimental (sim, gigante, ele tinha um metro e noventa e oito de altura), que por trás daquela aparência de durão, da calça jeans rasgada, das luvas pretas e da jaqueta de couro à la motoqueiro briguento, havia um homem romântico, benfazejo e defensor de diversas causas, como o fim da violência animal e o direito à prática do aborto. Sim, esse foi Joey Ramone.

Eu não quero fazer esse texto para, no fim das contas, dizer quem foi Joey Ramone, contar as coisas que ele fez e bosquejar a sua importância no mundo da música, como muitas pessoas sempre fazem. Não, não é isso que eu quero. Eu quero mostrar a vocês para onde a bondade, o carisma e a soberba qualidade musical conseguiu levar um homem.

Quantos músicos vocês conhecem que de tão famosos e carismáticos foram presenteados, após falecidos, com o nome de uma rua? Aposto que você não conhece ninguém. E se conhecer, dá para contar nos dedos. Eu, por exemplo, só conheço um: Joey Ramone.

Tal proeza não é uma questão de vendagem de discos, não é uma questão de ser bem sucedido financeiramente. Você não precisa ser galanteado com discos de platina, de ouro e de diamante para conseguir tal feito. Muito pelo contrário, a chave para o reconhecimento está muito além disso. Segundo o próprio guitarrista Johnny Ramone, em uma entrevista para o documentário End Of The Century - The History of The Ramones [EUA, 2003, Jim Fields], os Ramones nunca venderam discos, seus álbuns (é claro, exceção existe para cada regra) sempre venderam pouco, inclusive, alguns foram verdadeiros desastres de venda. Porém, eles compensavam a baixa vendagem de discos nos shows, que sempre esgotavam ingressos.

Você entendeu onde eu quero chegar? Após a fama, são poucos os artistas que conseguem manter a cabeça no lugar certo e olhar os seus fãs nos olhos, apertar as mãos, tratar com igualdade. São pouquíssimos! Após a fama, para que você consiga atenção E CARINHO por parte de todos (não apenas de seus fãs) você deve continuar a ser carinhoso, amável e tratar a todos com respeito, compreender que você pode ter mais dinheiro do que os outros, mas que você é ser-humano igual e que, portanto, jamais será melhor do que ninguém.

Post Scriptum: E não esquecer, jamais, que você só chegou onde chegou por causa de seus fãs, portanto eis o motivo de tratá-los com respeito. Eles te deram o céu.

E Joey Ramone sabia disso. Tanto é que foi a prefeitura da cidade de Nova Iorque que decidiu homenageá-lo com o nome de uma rua, a Joey Ramone Place, na esquina da Bowery com a East 2nd Street. O motivo disso? As pessoas certamente quiseram reconhecer não apenas o talento de um grande artista, mas também o talento de uma grande pessoa.

Hoje é dia 19 de maio, aniversário de Joey Ramone — se estivesse vivo, ele estaria completando 61 anos de idade —, e fica aqui, através desse pequeno texto, a minha homenagem a esse grande músico. São palavras humildes, porém sinceras.

A ele, o meu respeito. Eternamente.

O XV de Piracicaba será eternamente o meu clube do coração, e para sempre eu estarei te apoiando, seja na vitória ou na derrota.

O XV de Piracicaba será eternamente o meu clube do coração, e para sempre eu estarei te apoiando, seja na vitória ou na derrota.

Eu comprei um ukelele, sem brincadeira. Eu juntei um dinheiro, acho que £1.99, e o comprei na Avenida Shaftesbury. Então, o músico com quem eu estava sempre tocando nas ruas me ensinou a tocar a música Johnny B Goode. […] Eu estava sozinho pela primeira vez com esse ukelele e Johnny B Goode. Foi assim que tudo começou.
Joe Strummer, vocalista e guitarrista do The Clash, dizendo como iniciou a sua carreira no mundo da música.
Para aquelas pessoas apegadas ao modo de vida destruidor, que fumam maços e maços de cigarro durante o mês e consomem bebida alcoólica quase todos os dias, algumas latas de cerveja logo após chegar do trabalho faz um bem danado ao corpo. Eu acabo de chegar do serviço, estou cansado e por isso sinto necessidade de sair da lei. Mas na verdade, eu saio da lei quase todos os dias após o trabalho e isso mostra o quão fracassado eu sou — e sou mais fracassado ainda de saber, mas de não me importar.
Eu abro a geladeira, pego a lata de cerveja, abro ela, e no exato momento em que beberico os primeiros goles, o álcool parece golpear a minha mente como uma rajada desgovernada de vento. Eu pareço perder os sentidos, fico bobo. É como se eu estivesse preso dentro de um elevador moribundo, enquanto ele despencasse em velocidade máxima até o chão, bem no fundo de seu poço, onde a escuridão, o frio, as baratas e os ratos conversam o tempo todo e jogam baralho como piratas embriagados.
É preciso segurar-me na cadeira ou encostar-me na parede, caso contrário, meu corpo débil cairá sobre o chão, como um corpo cinza e sem vida despencando do décimo terceiro andar de um prédio. Ah, o primeiro gole de cerveja é tão bom. Eu posso parecer acabado, nocauteado, humilhado, mas eu sinto o sangue brasileiro correr em minhas veias e por isso a minha boca entreabre-se muito vagarosamente, sussurrando palavras macias e desconexas como: “quero mais… preciso de mais uma.”
Então, eu aplica o golpe final na lata de cerveja. Eu sou o grande vencedor, eu venci outa batalha épica. E na ânsia de demonstrar toda a minha força perante os meus piores inimigos, eu aponto o dedo para o próximo deles e o encaro, desejando luta, desejando furor, desejando mais mortes. O inimigo à minha frente, sem nada compreender e sendo constantemente fuzilado por meus olhos inquietos, consente. “Tudo bem, eu aceito essa batalha.” E claro, logo após ele pronunciar essas palavras, outro clima de guerra parece imperar no ambiente quieto e psicologicamente atormentado de minha casa. Número dois, o segundo inimigo.
Eu arremesso ao chão a lata vazia de cerveja que antes segurava, abro a geladeira, pego outra lata e abro ela, sorrateiro. Número dois, a segunda lata. Eu sinto o cheiro do álcool tomar conta de meu rosto, de meus olhos, de minha alma, e isso é mais do que suficiente para que um sorriso se estampe em meu rosto. Um sorriso verdadeiro, um sorriso autêntico. Eu saboreio cada gole como se fosse o último. Cada gole é mágico, cada gole parece durar tão pouco tempo em meu paladar.
Após um dia de trabalho, fico sentado à mesa de casa, olhando para a parede e apreciando cada gole de cerveja. Eu sou um verdadeiro gourmet dos gostos doces da morte, da auto-destruição. O uniforme verde do trabalho está colado ao meu corpo, apertando-me nervosamente, como uma resistente liana agarrada ao muro. Meu boné é rubro e sujo, igual aos que os caminhoneiros usam a todo momento, enquanto dirigem mil, dois mil quilômetros, para fazer a entrega das mercadorias. Outro maldito dia de trabalho. Outro dia, outro cachorro.
Do momento em que cheguei em casa, logo após o fim do expediente, até o amanhecer do outro dia, pouquíssimos minutos antes de eu novamente sair de casa para outro dia de trabalho, muitos outros inimigos foram mortos. E meu corpo fraco sente o peso da luta.

Para aquelas pessoas apegadas ao modo de vida destruidor, que fumam maços e maços de cigarro durante o mês e consomem bebida alcoólica quase todos os dias, algumas latas de cerveja logo após chegar do trabalho faz um bem danado ao corpo. Eu acabo de chegar do serviço, estou cansado e por isso sinto necessidade de sair da lei. Mas na verdade, eu saio da lei quase todos os dias após o trabalho e isso mostra o quão fracassado eu sou — e sou mais fracassado ainda de saber, mas de não me importar.

Eu abro a geladeira, pego a lata de cerveja, abro ela, e no exato momento em que beberico os primeiros goles, o álcool parece golpear a minha mente como uma rajada desgovernada de vento. Eu pareço perder os sentidos, fico bobo. É como se eu estivesse preso dentro de um elevador moribundo, enquanto ele despencasse em velocidade máxima até o chão, bem no fundo de seu poço, onde a escuridão, o frio, as baratas e os ratos conversam o tempo todo e jogam baralho como piratas embriagados.

É preciso segurar-me na cadeira ou encostar-me na parede, caso contrário, meu corpo débil cairá sobre o chão, como um corpo cinza e sem vida despencando do décimo terceiro andar de um prédio. Ah, o primeiro gole de cerveja é tão bom. Eu posso parecer acabado, nocauteado, humilhado, mas eu sinto o sangue brasileiro correr em minhas veias e por isso a minha boca entreabre-se muito vagarosamente, sussurrando palavras macias e desconexas como: “quero mais… preciso de mais uma.”

Então, eu aplica o golpe final na lata de cerveja. Eu sou o grande vencedor, eu venci outa batalha épica. E na ânsia de demonstrar toda a minha força perante os meus piores inimigos, eu aponto o dedo para o próximo deles e o encaro, desejando luta, desejando furor, desejando mais mortes. O inimigo à minha frente, sem nada compreender e sendo constantemente fuzilado por meus olhos inquietos, consente. “Tudo bem, eu aceito essa batalha.” E claro, logo após ele pronunciar essas palavras, outro clima de guerra parece imperar no ambiente quieto e psicologicamente atormentado de minha casa. Número dois, o segundo inimigo.

Eu arremesso ao chão a lata vazia de cerveja que antes segurava, abro a geladeira, pego outra lata e abro ela, sorrateiro. Número dois, a segunda lata. Eu sinto o cheiro do álcool tomar conta de meu rosto, de meus olhos, de minha alma, e isso é mais do que suficiente para que um sorriso se estampe em meu rosto. Um sorriso verdadeiro, um sorriso autêntico. Eu saboreio cada gole como se fosse o último. Cada gole é mágico, cada gole parece durar tão pouco tempo em meu paladar.

Após um dia de trabalho, fico sentado à mesa de casa, olhando para a parede e apreciando cada gole de cerveja. Eu sou um verdadeiro gourmet dos gostos doces da morte, da auto-destruição. O uniforme verde do trabalho está colado ao meu corpo, apertando-me nervosamente, como uma resistente liana agarrada ao muro. Meu boné é rubro e sujo, igual aos que os caminhoneiros usam a todo momento, enquanto dirigem mil, dois mil quilômetros, para fazer a entrega das mercadorias. Outro maldito dia de trabalho. Outro dia, outro cachorro.

Do momento em que cheguei em casa, logo após o fim do expediente, até o amanhecer do outro dia, pouquíssimos minutos antes de eu novamente sair de casa para outro dia de trabalho, muitos outros inimigos foram mortos. E meu corpo fraco sente o peso da luta.

Meu pai usa roupas de garota. É tão engraçado! Às vezes eu olho pra ele e penso: “Que camisa bonita”, porque é do meu guarda-roupa.
Liv Tyler, filha do rockeiro Steven Tyler, vocalista do Aerosmith.
XV de Piracicaba.

O XV de Piracicaba não é apenas um tradicional time de futebol da cidade de Piracicaba, e sim um estilo de vida, um modo de ser. Não existe um piracicabano que não goste do XV; que não goste de ir ao campo para torcer para o XVzão; e, principalmente, que não goste de exibir a bandeira do time de futebol da janela de suas silentes casas. Isso tudo faz parte de uma incomensurável paixão.

Todos as manhãs eu levanto de minha cama pensando no XV, e todas as noites eu me deito pensando nele. Eu entro no trabalho e rapidamente abro o Jornal de Piracicaba, vou até o caderno de esportes e procuro alguma notícia do XV, sei lá, qualquer informação, por menor que seja, apenas para ficar por dentro das notícias do time. O XV de Piracicaba é um time que gera bastante notícia, tanto por parte de sua fanática torcida quanto por parte do próprio time. Nós, torcedores do XV, somos louco de paixão, e não raramente ficamos sabendo que algum outro torcedor aprontou alguma no jogo, ou pelas ruas, em prol desse grande time. Sabe como é, por incrível que pareça, também existe hooligans em Piracicaba.

E eu não condeno os hooligans, ou os torcedores fanáticos, do XV de Piracicaba; muito pelo contrário, eu compreendo a loucura deles. Isso é futebol, é paixão, é competitividade. Nós estamos brigando para ver quem é o melhor — e não se trata apenas do melhor time, mas sim também da melhor e mais fanática torcida. E no que diz respeito ao XV de Piracicaba, nós, torcedores, acabaremos apoiando o XVzão até o fim, seja na derrota ou na vitória. Existe uma banda de rock chamada Bandeira de Combate. Eles são muito bons, suas músicas abarcam causas e ideologias muito legais, e em uma de suas músicas, cuja a temática é futebol, eles dizem: “Toda torcida quer ver o seu time ganhar, senão qual seria a razão de torcer? Admiramos a coragem dos hooligans. A questão é vencer ou vencer.” E creio que essas palavras já expliquem tudo, principalmente a loucura dos XVzistas.

Quando nós, XVzistas, vamos ao famoso Barão de Serra Negra (o nosso estádio) para assistir ao jogo, nós sabemos muito bem que aquilo não é simplesmente um jogo de futebol, e sim uma batalha épica. Nossos jogadores são os gladiadores, o campo é a arena, e toda a torcida XVzista é uma extensão de seus jogadores; ou seja, se necessário, nós faremos qualquer loucura em benefício de nosso time.

Comercial FC e o Guarani FC, time de Ribeirão Preto e de Campinas, respectivamente, são dois de nossos maiores inimigos. Quando a torcida do Comercial, ou do Guarani, entra na nossa casa, o estádio Barão de Serra Negra, está entrando na arena dos gladiadores. Eles entram sorrateiros, quedos como um felino prestes a dar o bote, e isso deixa nós, XVzistas (donos da casa), com muita raiva. Se nós pudéssemos, pularíamos sobre a torcida de ambos os times, prontos para fazer justiça com nossas próprias mãos. Mas como não podemos, nos contentamos apenas em torcer e apoiar o XV de Piracicaba, nosso time do coração. Por outro lado, quando nós, XVzistas, vamos até o Brinco de Ouro da Princesa (estádio do Guarani), ou até o FP Travassos (estádio do Comercial), ficamos torcendo para ir embora logo de lá, pois ambos estádios fedem m*rda, tamanha sujidade.

Eu sou Piracicabano, sócio-torcedor do XV de Piracicaba, e estarei em todos os jogos dando suporte ao XVzão. Ficar em casa não adianta nada, até porque não há nada mais prazeroso do que vestir a listrada camisa XVzista, ir até o estádio e fazer a catraca girar. Gritar, apoiar, torcer, xingar e brigar com a torcida adversária, tudo isso faz parte da personalidade de um XVzista.

Na vitória, nós estaremos ao lado do XV de Piracicaba. E na derrota, também. O nosso time nunca estará sozinho!

Sem a música, a vida seria um erro.
Friedrich W. Nietzsche, filósofo alemão do século XIX.
Últimos momentos de 2O11.

Eu fui até o quintal de casa, sentei em uma cadeira e fiquei olhando para o céu. Por bastante tempo, eu fiquei contemplando as milhares de estrelas espalhadas pelo céu escuro. Já eram 22 horas, a noite estava um pouco amena.

Acendi um cigarro e continuei olhando para o céu, pensativo. “Ah, como o fim de ano me comove.” Então, meus olhos deslizaram do céu e caíram sobre a janela da casa do vizinho, onde o vento a fazia ranger repetidas vezes. Nhééc! Nhééc! O barulho alto e estridente da janela rangendo. Devido ao silêncio da noite, o rangido da janela chegava a soar assustador; mas no entanto, nada pôde me impedir de continuar a refletir: aliás, era fim de ano, faltavam apenas 4 dias para o fim do ano.

Traguei o meu cigarro o mais forte que pude, e então assoprei a fumaça para cima. Senti que estava pronto para tudo, mas ao mesmo tempo eu sabia muito bem que não estava. Me senti pequeno diante do olhar do mundo. Pensei em todas as coisas que fiz em 2O11, e pensei também em todas as coisas que deixei de fazer. Lembrei de todas as pessoas que conheci, e de todas as pessoas que deixei de conhecer.

2O12, o tão esperado ano novo, será apenas uma continuação dos caminhos que eu comecei a trilhar este ano, é por isso que eu preciso fazer as coisas da melhor maneira possível (preciso, ao menos, tentar). Eu sei que não estou pronto, mas o que mais um garoto como eu pode esperar das coisas? Que venha o ano novo!

Sou o pior no que faço de melhor. E por este presente eu me sinto abençoado.
Kurt Cobain, vocalista e guitarrista do Nirvana.
Os bons tempos do Café Wah Wah.

Em Piracicaba, há cerca de dez anos, havia um cenário muito forte e intenso de música jazz. Lembro-me muito bem até hoje, as lembranças ainda estão vivas em minha mente. Eu morava três quadras pra baixo da Avenida Carlos Botelho, no bairro Cidade Jardim, mais precisamente na Avenida Holanda, e lembro-me muito bem que naquela época (estamos falando do ano de 1999/2000), havia, na Avenida Carlos Botelho, um local chamado Café Wah Wah. Tratava-se de um bar noturno totalmente voltado à música jazz.

O Café Wah Wah, cujo ambiente trazia um ar bastante escuro, cool e nidoroso, localizava-se bem no começo da Avenida Carlos Botelho, aproximadamente no número 147, e a sua idéia era bastante icástica: reunir os maiores músicos de jazz da cidade.

Você entrava no ambiente nidoroso da Café Wah Wah, onde milhares de luzes vermelhas lucilavam pelo ambiente burlesco e organizado, e se deparava com um grande salão, lotado de mesas de granito, um imenso bar à sua direita (que servia apenas cerveja Dama Bier e café preto), e mais à frente deparava-se com um imenso palco. Por mais lotado que o Café Wah Wah estivesse, nunca faltava mesas. Sempre haveria um local para você sentar-se, tomar o seu café/cerveja e curtir um jazz dos anos 40/50. Naquela época, o fumo ainda era permitido, e uma densa névoa esbranquiçada pairava pelo local, em meio às milhares de mesas de granito, repletas de pessoas. No bar do Café Wah Wah, você pagava R$ 6 reais por uma caneca de café preto (e não era caro, o preço era justo, pois eu estou falando de uma caneca de 500ml), e R$ 4,50 por uma garrafa de cerveja Dama Bier, cerveja tipicamente piracicabana de maravilhoso sabor forte e amargo. O mais incrível, e charmoso, era que todos os quatro atendentes do bar do Café Wah Wah eram velhos senhores, de 60 ou 70 anos, que trabalhavam de roupa social e chapéu-coco. Chiquérrimo.

O Café Wah Wah funcionava de segunda a segunda, e todos os sábados, no horário nobre do bar (das 18 às 2 horas), o grupo piracicabano de jazz Ilha Grande, formado por sete músicos, tocavam seu jazz bebop. Não havia ninguém ou nenhum outro grupo capaz de mudá-los de horário, pois os músicos da Ilha Grande, além de conceituados, eram respeitadíssimos. Por isso, o horário nobre do sábado era deles (e fim de papo). O grupo só não tocava em raras ocasiões, quando algum membro da banda ficava doente ou algo do tipo, caso contrário, o horário nobre era deles mesmo. Às segundas-feiras, um grupo cover de Charlie Parker e Duke Ellington, marcante por seus exímios saxofonistas, dominavam o local. E às terças, quartas, quintas e domingos, outras bandas de jazz da cidade tinham a chance de também mostrar o seu talento — e para que isso acontecesse, era necessário ligar no Café Wah Wah, falar com o senhor Capliani, responsável pelos agendamentos, e reservar um horário. O horário tinha que ser de, no mínimo, três horas e meia.

E eu, que morava há três quadras da Avenida Carlos Botelho, e do Café Wah Wah, frequentava o local quase todos os dias depois das 17 horas, que era quando eu saía do trabalho. Eu gostava muito de ir pra lá, ouvir um jazz e tomar umas canecas de café preto. E nessas ocasiões, eu sempre acabava conhecendo algumas mulheres — e após uma ou duas horas de oaristo, as levava para a minha casa… e diversão garantida. Bons tempos!